06/09/08

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Entrei no vagão rosa
de um trem que partia para uma vida rosa.
E andamos juntos, pequena flor do mar,
contemplando a paisagem, abraçados.
Há sempre um azul no céu azul
e um verde nas árvores de copas verdes
que me deixam mais preto e branco dentro desse vagão.

Os passageiros, alguns ironizando,
me chamam a atenção, porque estamos a rir alto
e a beijar nossas línguas,
em nossos assentos, demasiadamente.
Mas nossos ouvidos estão tapados:
abelha, abelhinha.
E nossas bagagens trocadas:
seu casaco, em minha mochila;
meu livro em suas mãos.

E estamos juntos,
e temos pouco tempo para estar,
como um pôr-do-sol finge ser longo,
como uma fotografia daquilo que fomos e não somos.

Naquela estação, em que a areia da vida
ficou presa na ampulheta do coração,
eu levantei do assento,
e não posso, receio que agora não posso,
pequena flor do mar, continuar essa viagem.