14/11/08

Os raios azuis do sol

Não gosto quando acordo com os raios de sol extremamente pálidos, batendo no meu rosto. Na verdade, os raios de sol não são nem pálidos nem corados. São o que são, apenas. O problema talvez esteja em minha pele, mais sensível às coisas tristes do mundo, às coisas azuis (minha cor predileta) como dizem os anglo-saxões. Ontem, pode até parecer assustador a história que vou contar, ouvi o vento sussurrar meu nome, quando estava sozinho, de madrugada, na varanda do apartamento. Tive medo de querer jogar-me e morrer. É um sinal de que as coisas não vão lá muito bem para mim, como a personagem principal do meu romance que estou a escrever. Mas eu preciso alertar que faz parte do meu processo de criação sentir-me como meus personagens. Hoje, queria ficar sozinho, em um local reservado, mas não posso. Tenho obrigações e satisfações a dar às instituições e às pessoas. Hoje é um dia em que não gostaria de viver, se tivesse um romance chamado intermitências da vida.