A essa hora da noite,
mais que estar só, me sinto só.
Há um rosto,
escondido sob meu rosto,
que ilumina a escuridão do quarto escuro:
o coração das trevas, o silêncio.
Nele, tenho medo de ser quem sou, deveras.
Me dou conta dos erros, das vitórias já espaçadas,
das translúcidas loucuras, dos sonhos que deixei para serem sonhados.
Não há respostas porque não há perguntas.
Existem evidências, constatações:
O motor da esperança dos carros lá fora,
as vozes ansiosas que murmuram nos corredores,
o vento decepcionante que passa e freme
a porta da dor no meu peito esquerdo.
O que eu queria
era transformar minha cama no oceano
e eu, numa concha marinha.