Negros, dois ternos flutuam
pela branca calçada.
Suas gravatas, como línguas,
entrelaçam uma na outra, avermelhadas.
Eles não se emprestam, não se ofertam;
debêntures, debêntures, debêntures.
Seus ombros se elevam, altivos
- ativos valiosos, valorosos negócios -
e há um mundo sob seu braço.
Os negros ternos, assim,
caminham, continuam seguindo
até encontrar, no meio do caminho,
um homem, velho e desgastado.
Eles o olham e se afastam,
porque fede,
porque come com as mãos,
porque dorme
vagabundamente
sobre a lixeira de um supermercado.