Olhando por essa janela
desse andar tão alto, dessa solidão tão vasta
eu vejo uma multidão de carros passar
sozinhos, uns com os outros
a maioria sem nenhum.
Esses homens, essas mulheres
que se guiam pelas idéias nossas, e não me saúdam.
Eu ergo minha mão, sozinho.
Eles, no entanto, dirigem sem parar.
Não estão nem aí.
Sou o galho quebrado,
já fora da árvore.
Por isso, ergo minha mão
mais uma vez, e sou atropelado,
como um palhaço no picadeiro.
Eu celebro a solidão
de mãos dadas com o homem
que venceu e voltou para casa.
De sapatos azuis.
Porque há muita poesia
nas sarjetas imundas
desse andar tão alto, dessa solidão tão vasta.